O tempo… o tempo que espero, que vivo, que odeio. O tempo que existe é a maior angústia que algum dia já foi inventada. Aquele tempo de espera, de não obter a resposta. A resposta que nunca vem mas que eu espero incessantemente, à chuva, ao frio, no vazio. No vazio onde vivo, no preto, no fundo… E quando finalmente a resposta chega parece-me pouca e absurda. E tenho pena de mim. Por criar expectativas sobre algo que nunca poderei ler, ouvir, ter. No meu interior imagino respostas sem fim, frases mirabolantemente feitas, onde todos os sentimentos que eu quero que ele sinta estejam lá contidos… Porém sei que, no fundo e apesar de tudo, o medo é que não o deixa expor o que sente e o que realmente gostaria de dizer e mostrar. Medo da entrega, medo da paixão, medo de tudo o que um dia dar-lhe-á a maior felicidade jamais existente. Mas também o medo de cair e da combustão demasiado rápida desse amor. Mas é de grandes reações químicas que se criam os maiores fenómenos neste mundo. Foi de alguma reação química tão estranha e difícil de perceber, tão parecida com o amor, que se criou o mundo como o conhecemos, algo grandioso e vivo, algo que o amor também pode ser.
Camila Alves
